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Tel/Fax: (14) 3622-1356
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E-Mail: jmmurgel@irma.eng.br

PRIMAVERA: FLORES, POEIRA, CARVÃOZINHO E RINITE ALÉRGICA...

José Maurício de Toledo Murgel
Diretor do IRMA - Instituto Rural de Meio Ambiente
Fone/Fax:- (14) 3622-1356
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Publicado em: O COMÉRCIO DO JAHU

Em recente charge, o escritor Luiz Fernando Veríssimo, mostra o diálogo entre um casal de meia idade: - Ela romântica: “Primavera, flores, pólem no ar... lembra o que?” Ele prático: “Rinite alérgica?...” Este fantasioso diálogo poderia ter ocorrido aqui em Jahu, entre um agricultor e um “verde”.

Em recente trabalho, professores da UNICAMP realizaram medições de qualidade do ar e registros de internações hospitalares em diversos municípios paulistas, alguns grandes produtores de cana de açúcar, outros tipicamente cafeeiros e em uma estância hidromineral, sem grande projeção agrícola, fora da horticultura. Chegou-se às seguintes conclusões: A qualidade do ar, no inverno e primavera pioram, em todos os municípios pesquisados, com ou sem cana-de-açúcar, principalmente devido à poeira e baixa temperatura. Os registros hospitalares mostram significativo aumento de doenças respiratórias em todos os municípios pesquisados, devido à poeira, baixa temperatura e ao pólem. Nos municípios canavieiros, o registro histórico dos hospitais mostra aumento de internações no inverno, mesmo antes do advento da cana-de-açúcar. Análises do ar em todos os municípios mostram um aumento significativo de produtos tóxicos vindos da queima de combustíveis fósseis, principalmente o óleo diesel. Não existem registros de partículas de carvão nos pulmões estudados.

Sou do tempo em que as colheitas de algodão, arroz, milho, feijão etc., eram feitas manualmente; hoje já existem, até, colhedeiras (que os mais novos chamam de colheitadeiras) de café! É evidente que vai chegar o dia em que a colheita manual da cana de açúcar não mais será utilizada. Para que a colheita mecânica da cana-de-açúcar se torne uma realidade alguns problemas deverão ser resolvidos; não existem colhedeiras realmente eficientes à venda, as atuais não operam em terrenos inclinados (mais de 12% de declividade), são muito caras, ficarão ociosas por muito tempo e, finalmente, causarão desemprego. Estima-se que no estado de São Paulo existam cerca de um milhão de cortadores de cana com baixa capacitação profissional que ficarão desempregados com a colheita mecânica; cada colhedeira substitui, em média, cem cortadores. Outro ponto a ser resolvido é a duração do ciclo da cana; atualmente os canaviais são plantados dentro de sulcos e a cana vai aflorando a cada corte; a colhedeira corta rente ao chão, encurtando o ciclo da cultura em cerca de 50% do tempo. Finalmente, dada a capacidade de operação, uma colhedeira de cana deve operar em área de cerca de 150 hectares (61 alqueires), expulsando os pequenos produtores do setor canavieiro.

Se analisarmos friamente e sem preconceito a cultura da cana-de-açúcar sobre a ótica do gás carbônico, veremos que a cana ao crescer absorve grande quantidade de CO2, uma vez que o açúcar e o álcool são compostos basicamente de carbono, oxigênio e hidrogênio. No final do ciclo, a cana, após a queima, é colhida para fabricação de álcool e açúcar. Parte do gás carbônico volta para a atmosfera pela queima da palha, parte é transformada em álcool e açúcar que são vendidos para outras regiões, visto que não consumimos todo o álcool e açúcar produzidas por nossas unidades industriais. Deduzimos, por simples operação aritmética, que a cultura da cana-de-açúcar tem o dom de exportar “nosso” gás carbônico para outras regiões.

Finalizando, o carvãozinho é um saco, com perdão da má palavra!

 
 
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