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POLÍTICA E AGRICULTURA José
Maurício de Toledo Murgel Publicado em: A GRANJA, setembro/2.000. Vivemos em uma sociedade regida por decisões e normas tomadas em seu nome; é o sistema representativo composto pelo Poder Legislativo, as Câmaras Municipais, Assembléias Legislativas e o Senado Federal. Cada segmento desta sociedade elege seus representantes para, em seu nome, defender seus interesses. Os diversos partidos políticos, até pelo seu nome, indicam esta divisão. No Brasil, a agricultura é o mais importante setor; somos os maiores formadores do Produto Interno Bruto, somos os maiores exportadores e somamos a maior parte da população; se considerarmos, ainda, as indústrias que produzem para o setor e aquelas que processam nossa produção, representamos quase que a totalidade da riqueza nacional. Apesar desta importância, não existe um P.A.B., Partido Agrário Brasileiro, e, quando nos reunimos para a defesa de nossos interesses, somos taxados de radicais, veja a U.D.R., por exemplo. Diante desta falta de representatividade, vemos uma enxurrada de Leis Decretos ou Medidas Provisórias feitas contra os nossos interesses. A própria Bancada Ruralista, composta por legisladores de diversos partidos, às vezes é obrigada a votar com a liderança, contra os legítimos interesses da Agricultura e dos Agricultores. Como exemplo desta falta de defesa, vemos as Leis ambientalistas, feitas quase sempre em desacordo com nossos interesses; muitas são até inconstitucionais por serem confiscatórias, como aquelas que fazem aumentar as chamadas áreas de preservação permanente ou obrigar aos agricultores a doação de 20% de suas terras para fins ambientais. Algumas destas absurdas medidas já foram, até, consideradas inaplicáveis pelo Superior Tribunal de Justiça ou inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, sendo revogadas para, em seguida, renascerem em formas de Medidas Provisórias; são as Fênix que renascem das cinzas ou Hidras que mantém seis cabeças em posição de ataque enquanto uma descansa, não morrendo nunca! Interesses espúrios atacam nosso setor sucro alcooleiro, tentando torna-lo ineficiente para tornar competitiva a produção de açúcar de Cuba, sabidamente atrasada como tudo que é de esquerda... Os "sem terra" têm tudo, desde doações de terra doações de dinheiro público, financiamentos oficiais abundantes e até, pasmem, o direito de praticar crimes como seqüestros, roubo de gado, invasões de repartições públicas, etc, sob o olhar cândido das autoridades, desde que, é lógico, não atentem contra o patrimônio da família do Presidente; já os "com terra" não têm direito à nada; quase não há financiamento pois falta dinheiro, que foi dado para salvar Bancos falidos. Leis como o "Estatuto da Terra", o câncer da agricultura, ou o novo Código Florestal, passaram batido nas casas legislativas, sem uma palavra contra. O recente Decreto que aumentou de 50% para 80% as reservas obrigatórias na Amazônia, mesmo quando a venda foi efetuada pelo próprio Governo, obrigando à preservação de 50% da área, não teve voz contrária; já o Projeto de Lei que restaurava as condições originais da venda foi apedrejado pela esquerda e pelas ONGs. Os próprios agricultores foram parcimoniosos na sua defesa. O Deputado Michelleto talvez entre para a história como um inimigo da floresta, quando deveria, por mérito, entrar como defensor da justiça e da agricultura, da Justiça por fazer valer um contrato lícito de venda, e dos agricultores por tentar evitar que estes paguem sozinhos, novamente, uma conta que é de toda a Sociedade. Não levando as eleições a sério, pensando nas conseqüências futuras, votamos, quase sempre, em candidatos simpáticos, de "fala fácil" ou artistas e desportistas. Como pode um agricultor votar num partido que é contra a propriedade particular ou defende as invasões de terra? Os agricultores devem ficar mais atentos à política; enquanto o tal Partido Agrário não é formado, devemos votar exclusivamente naqueles que têm compromisso com a nossa classe. Os meios de divulgação voltados à agropecuária, como "A Granja", por exemplo, deveriam manter um placar de votação, informando a posição dos políticos em votações de nosso interesse para que, nas eleições, pudéssemos votar pela classe; vivemos da agricultura, vamos defendê-la. |
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