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NOSSAS PLANTAS MEDICINAIS José
Maurício de Toledo Murgel Publicado em: A GRANJA, agosto/2.000. Desde o início dos séculos, o homem tem se socorrido das plantas para curar suas doenças; era o único meio disponível. Com o passar do tempo, foi-se criando uma cultura a respeito do assunto; os mais observadores iam aprendendo quais as plantas que serviam para curar determinadas doenças. Na cultura histórica brasileira, estes depositários do conhecimento eram os pajés; em outras culturas haviam os bruxos, magos, etc. Com o aprimoramento da química, diversos princípios ativos das plantas passaram a ser sintetizados e produzidos em laboratório. O exemplo mais conhecido era o chá do chorão (Salix spp) que foi sintetizado quimicamente e ganhou o nome de Acido Acetil Salicílico, popularmente AAS ou Aspirina. Hoje, cerca de 50% dos medicamentos ainda provêm de plantas e 30% dos medicamentos restantes, são sínteses químicas de medicamentos naturais, ou seja, 80% dos remédios ainda utilizados provêm ou provieram de plantas. Sob este aspecto o Brasil é privilegiado, além de termos uma grande biodiversidade, a maior do planeta, contamos com o potencial de nossos índios, grandes conhecedores de nossos recursos botânicos. É um costume indígena, todas as tribos têm um pajé, o depositário deste saber. É interessante que nem todos os índios de uma tribo conhecem bem as plantas; este saber é privativo do pajé, geralmente um velho sábio que mantém sempre um ou dois auxiliares a quem este conhecimento é passado, para que não se perca. Para criar uma aura de mistério, os pajés, além de curar, eram os chefes religiosos. Com a entrada da civilização branca, duas correntes entraram em contacto com os índios, aqueles que queriam desmoralizar os pajés em nome de uma cristianização das tribos, as chamadas missões, e aqueles que queriam aprender seus conhecimentos para utilização comercial. De um lado, os missionários cristãos e do outro os pseudo missionários que em lugar da Bíblia, traziam microscópios e outros aparelhos científicos levando amostras de material botânico para análise, sempre com a indicação dos pajés que eram, neste caso, prestigiados pelos visitantes. As duas correntes prejudicaram os índios, uma pela campanha contra os pajés, em nome de Cristo; outra pelo roubo de seus conhecimentos para patentea-los no exterior. Hoje, se uma tribo quiser industrializar suas plantas medicinais vai ser impedida por alguma indústria estrangeira, detentora da patente. Pobres índios, perderam suas terras por falta de registro público e perderam suas plantas medicinais por falta de patente... Durante anos, uma grande multinacional exportava, pelo porto de Belém, plantas medicinais prensadas e embaladas como se fossem colchões de palha; um orgulho para o Brasil, “estamos exportando colchões para a Europa ...” Grandes multinacionais da indústria de medicamentos têm feito enormes doações para os Institutos de Pesquisa da Amazônia e bolsas de estudo para seus pesquisadores, com vista a levantar e catalogar o conhecimento dos índios sobre as plantas medicinais. Posteriormente as plantas são colhidas, identificadas e seus componentes são estudados em modernos laboratórios com fins de obter patentes internacionais. Faz-se necessário, com urgência, uma Lei que garanta aos nossos índios o direito de seus conhecimentos, impedindo que estes sejam objeto de patentes de qualquer espécie. Da amazônia, este conhecimento é da maior importância e merece ser preservado; infelizmente as tais ONGs, patrocinadas por dinheiro espúrio, deste assunto não tomam conhecimento. Recentemente, em Brasília, um pobre caboclo foi preso por raspar uma árvore e, assim, obter remédio para sua família. Foi objeto de inúmeras reportagens e visitado, na prisão, pelo Ministro do Meio Ambiente. É digno de pena um pais que manda prender um caboclo por raspar uma arvore para obter remédio para sua família. Se fôssemos um país sério, nossas autoridades deveriam em primeiro lugar dar tratamento adequado aos seus habitantes e, neste caso, suas instituições de pesquisa deveriam estudar as propriedades da árvore para saber se, novamente, estamos diante de um caso da sabedoria popular que merece ser preservada. Provavelmente as multinacionais já se inteiraram do assunto e já levaram amostras da tal árvore para identificação e estudos. Se realmente a árvore tiver algum princípio ativo de interesse, daqui algum tempo veremos nova patente internacional e, se o tal caboclo for pego novamente na mesma árvore será processado duas vezes, por crime ambiental e por violação de patente... |
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