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A AGRICULTURA E O BRASIL José
Maurício de Toledo Murgel Publicado em "A GRANJA", abril/2.002. Lendo a última edição de “A Granja”, diversas reflexões nos vêm à mente; da primeira à ultima página o velho orgulho de ser brasileiro nos enche novamente o peito. È verdade que em alguns artigos vemos que nossos governantes poderiam fazer melhor, enfim, nesta edição temos notícias muitas boas, algo por fazer e uma lembrança ruim. De ruim, temos uma reflexão do Eduardo Almeida Reis; meu “idalo” de priscas eras, aquele que, há muitos anos, escreveu-me dizendo que eu deveria “cronicar”; acreditei e fui em frente. Hoje, conhecendo melhor sua índole, pergunto-me: ”será que o Eduardo fez uma gozação?”. Mas, voltemos ao principal. No fim da sua crônica, entra no mérito da pecuária leiteira, onde chegamos a níveis de primeiro mundo. Nossos rebanhos ombreiam-se aos melhores, tanto em qualidade genética, como em níveis de produção, graças ao esforço de nossos pesquisadores. A lembrança ruim está no sucateamento desta importante atividade, pelas importações de leites subsidiados da Holanda e Argentina. Diariamente vemos anúncios de leilões de plantéis inteiros e equipamentos de ordenha de quem está abandonando o ramo. Nosso produtor recebe por um litro de leite, menos do que paga por um copo de água. Daí o adjetivo “ruinoso” com que aquela crônica define a pecuária leiteira. Uma notícia boa é o reconhecimento mundial de que nossa reforma agrária é um ralo por onde escoam recursos que poderiam melhorar a vida dos brasileiros. Discordo apenas dos valores jogados fora; a revista fala em R$ 6,5 bilhões; este número, no mínimo, é cerca de dez vezes maior. Os estudiosos do assunto estimam em US$ 80 mil o custo de uma família assentada, contando a terra, o projeto, financiamentos subsidiados, cestas básicas doadas, etc; já a esquerda diz que este valor é exagerado, mas afirma que o custo real é de US$ 50 mil por família aceitemos este valor como base de cálculo. É universalmente aceito de que o atual governo assentou 2 milhões de famílias a um custo de US$ 50 mil, cada. Qualquer um pode fazer esta conta (2.000.000 x US$ 50.000 = US$ 100.000.000.000) isto mesmo, o atual governo jogou fora 100 bilhões de dólares que muito ajudariam os reais agricultores a produzir mais e gerar empregos. Quando se fala nas perdas da agricultura, lembro que, apenas por deficiência de armazenagem, por conta de ratos, insetos e apodrecimento, estas perdas chegam a níveis pouco maiores que 30%; ou seja, para uma colheita útil de 100 milhões de toneladas, nossa produção real deve ter sido de 142 milhões de toneladas. Quem de 142 perde 30% fica com 100... Um programa eficiente de silos e armazéns poderia, portanto, “produzir” 42 milhões de toneladas a mais! Já o eucalipto é uma benção; há alguns anos, dissertei sobre o assunto em um artigo publicado nesta revista, sob o título de “Desmitificando o Eucalipto”. Embora esta espécie seja abominada pelos pseudo-ambientalistas, por ser exótica, ela é um fator de preservação ambiental. Quando se queima ou serra um eucalipto, uma árvore nativa está sendo preservada e, como o eucalipto tem um fator de crescimento muitas vezes maior que a maioria das espécies nativas, afirmo, sem medo de errar, que sob a ótica da preservação, um eucalipto preserva quase dez árvores nativas. A nossa soja é um fenômeno de produtividade, graças ao incansável trabalho de nossos pesquisadores e instituições de pesquisa. Não fora o empecilho gerado por algumas ONGs mal intencionadas que encarecem nosso produto impedindo instalações de ferrovias e hidrovias, sob a falsa ótica da preservação ambiental e indianista. É assim com nosso aço e com as nossas armas, incluindo aquelas produzidas nos pagos riograndenses pela “Taurus”, hoje a segunda maior produtora de armas leves do mundo! Sobre as ONGs, escreveu o líder industrial Antônio Ermírio de Moraes: “...devido à nefasta ação de certas ONGs ligadas aos capitais do exterior que, no fundo, querem bloquear o desenvolvimento do Brasil”. Mais adiante, no mesmo artigo, citando o pesquisador francês Guy Sorman; “Atrás das siglas humanitárias, prosperam pequenas e grandes ONGs, ricas e pobres, generosas e cínicas. Ninguém fiscaliza suas fontes de financiamento, ninguém verifica a autenticidade da boa causa a que se propõem. Na sua totalidade, elas não estão subordinadas senão a assembléias fantasmas e são administradas efetivamente por minorias vinculadas a outros interesses. Essas ONGs usam fundamentos científicos falsos, com o que aterrorizam pessoas ingênuas, apresentando perigos ambientais exagerados para obter donativos e doações, em geral, de empresas transnacionais” (Folha de S. Paulo, 17/02/02). Entre “Colheitadeiras” e “Colhedeiras”, fico com a última, a primeira me parece um neologismo pedante. Não fora assim, por puro saudosismo, ficaria com “Combinadas”, ou com “Self Propeled Combines”, como, nos meus tempos de escola, dizia o saudoso Professor Hugo de Almeida Leme! Finalmente, entre transgênicos ou não, abstenho-me por não entender nada do assunto; a lógica opina pelo transgênico. Vendo a lista das ONGs que são contra, posiciono-me a favor... |
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