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PARA ENTERRAR O AGRICULTOR NÃO FALTA ONG José
Maurício de Toledo Murgel Publicado em: A GRANJA, janeiro/1.999 Depois que o Meio Ambiente entrou na moda, centenas de pessoas bem intencionadas, pelo menos algumas, passaram a se intitular "Ecologistas" mesmo sem ter qualquer conhecimento ou estudo na matéria. É como se, por um passe de mágica, mesmo sem estudo, as pessoas se auto intitulassem Médicos ou Engenheiros. Se apenas os bem intencionados optassem por este caminho, seria fácil uma correção de rumo pois, sendo bem intencionados, acatariam um raciocínio lógico. O pior são aqueles que entraram por este caminho por ser o mais fácil de atingir os agricultores e os proprietários rurais, por razões de ideologia. Quando as ONGS (Organizações Não Governamentais) internacionais subsidiam movimentos contra a exploração, mesmo racional, da Amazônia, quem ganha são apenas as multinacionais que operam em mineração ou em biodiversidade como remédios e produtos naturais. Chega de "missionários" que em vez da Bíblia, carregam microscópios e aparelhos de prospecção. Quando outras ONGS patrocinam movimentos contra a construção de uma saída para o Oceano Pacífico, seja uma estrada asfaltada ou por estrada de ferro, quem ganha são os produtores da soja americana que, saindo pela Califórnia, seu porto no Oceano Pacífico, colocam seus produtos na Ásia por preços inferiores aos brasileiros, apenas pela diferença de frete. O produto americano sai direto, o nosso tem que dar uma volta de mais de dez mil quilômetros e passar pelo Cabo Horn para chegar àquele destino. Embora a soja americana seja muito mais cara que a brasileira, por razões de terras e salários maiores, chega à Ásia mais barata que a nossa. Quando movimentos brasileiros de esquerda criam obstáculos de toda a ordem para nosso setor sucro alcooleiro, quem sai ganhando é o açúcar cubano que, embora mais caro pela incompetência socialista, equipara-se aos nossos pelas dificuldades impostas ao setor. Quando, por ameaças mentirosas de desabastecimento, produtos agrícolas são importados, pouco antes da época da nossa colheita, quem perde são os nossos produtores agrícolas, sejam de arroz, alho, cebola, frutas e muitos outros. No Estado de São Paulo, pasmem, com o pretexto de proteger os mananciais de água potável, o Governador já editou um Decreto que cobra pelo uso da água. Se um boi beber no rio, a água é gratuita, mas se o agricultor colocar uma bomba para abastecer sistemas de irrigação ou mesmo bebedouros centrais, esta água será taxada. As estradas paulistas, destinadas também ao escoamento da safra, estão ganhando dezenas de Postos de Pedágio e, o que é pior, nos pedágios antigos a taxa é de R$ 4,40 por passagem, pagando em um só sentido. Nos novos o custo é de "apenas" R$ 3,70, só que pagando nos dois sentidos, R$ 7,40 no total. O Estado de São Paulo tinha 44 Postos de Pedágio; estão construindo mais 25... Nossos Institutos de Pesquisa foram sucateados e seus Pesquisadores tiveram um achatamento salarial de quase 50%, com isto a produção agrícola, paulista e brasileira está estagnada enquanto que a da Argentina praticamente dobrou nestes últimos anos. Antigamente dizia-se que a Agricultura era a arte de empobrecer alegremente; hoje continua empobrecendo, mas com muita amargura... |
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